CARLA PRATA

COLABORADORES
Capa Carla Prata
Foto Fernando Alves
Look
Michelle X e Pipo Acebedo
Assessoria Portfólio Assessoria

 

O carnaval não é brilhar sozinha,é sobre a energia de toda uma comunidade

 

 

O Carnaval é pura expressão – como você descreve comandar a bateria?
É uma mistura muito forte de responsabilidade com emoção. Há quase 50 anos as Rainhas de Bateria ajudam a contar a história do Carnaval, e estar ali, pela CONFIRMAR vezes, é uma honra enorme.

Quando eu entro na avenida e olho pra bateria atrás de mim, eu sinto uma força que não dá pra explicar. Não é só dançar. É conduzir energia. É sustentar uma tradição, representar uma comunidade inteira, uma escola que tem história.

E pra chegar ali existe muita preparação. Figurino, maquiagem, treino, alimentação. É investimento, é disciplina, é dedicação. Ainda mais depois do meu diagnóstico de miastenia gravis, eu aprendi a respeitar ainda mais meu corpo. Cada ensaio exige atenção redobrada.

Mas quando o surdo começa a tocar… tudo vale a pena. É arrepio, é verdade, é pertencimento,é espiritual. É saber que você está vivendo um momento que vai muito além de você.

 

Qual foi o look mais inesquecível?
Olha… o look mais inesquecível da minha vida foi quando eu pisei na avenida como onça melânica.

Aquele dia não foi só um desfile pra mim. Foi um reencontro com a minha essência. Quando eu entrei no Anhembi como Rainha de Bateria da Tucuruvi, eu não estava apenas com uma fantasia impactante, eu estava vivendo uma transformação.

A onça negra representava força, instinto, proteção, ancestralidade. E tudo aquilo conversava muito com a minha história. Eu já enfrentei muitos desafios que nem sempre as pessoas enxergam, então vestir aquela onça foi como materializar a mulher forte que eu precisei ser ao longo da vida.

Eu me senti irreconhecível no melhor sentido. Foi visceral. Foi espiritual. Foi entrega total.

Mais do que estética, aquele look carregava significado. E eu acho que é isso que faz ele ser inesquecível: não foi só bonito foi verdadeiro.

 

Como você escolhe estilistas e peças?
Eu preciso me reconhecer ali. Pode ser incrível, pode ser luxuoso, mas se não conversa com a minha essência e com o espírito da escola, não funciona. Eu gosto de trabalhar com quem entende que Carnaval é movimento, não só foto, com quem tem amor pelo Carnaval e pela arte.

 

O que é glamour pra você no samba?
Glamour, pra mim, não é excesso. Não é só brilho, pedraria ou luxo. Glamour é postura. É presença.

É entrar na avenida com segurança, sabendo que você está preparada física e emocionalmente pra ocupar aquele espaço.

É entender que ali existe história, comunidade, tradição.

Então glamour também é respeito. É sustentar o salto depois de horas de ensaio, manter a energia do começo ao fim, olhar pra bateria e se conectar de verdade. É encarar a arquibancada com orgulho, apresentar a bateria com o coração aberto e convidar todo mundo a viver aquele momento junto.

No samba, glamour é verdade. Quando você é de verdade, você brilha naturalmente.

 

Como a nutrição entra na sua preparação?
A nutrição é um dos pilares da minha preparação. Samba é resistência, é exercício aeróbico intenso, então eu não posso deixar a alimentação em segundo plano. No dia de ensaio, por exemplo, eu faço uma pausa estratégica pra me alimentar. Parece simples, mas faz toda a diferença.

No almoço e na alimentação pré-ensaio, a proteína é prioridade. Não é só uma questão estética, é funcional. Eu preciso de sustentação muscular e energia pra atravessar a avenida do começo ao fim, principalmente num ensaio técnico, onde o ritmo é puxado e não dá pra perder o fôlego.

Mas a preparação vai além do físico. Existe também um ritual mental e emocional. Cada ensaio começa muito antes da avenida. No camarim, enquanto a maquiagem começa, a fantasia está ali do lado… tudo vai ganhando vida. Eu uso esse momento pra alinhar corpo e mente, visualizar a avenida e me conectar com o enredo da Tucuruvi.

No fim das contas, é equilíbrio. Alimentação, preparo físico, foco emocional.

 

Dicas de lifestyle e nutrição?
Constância. Não adianta querer resolver tudo na semana do desfile. Eu cuido da alimentação, hidratação e sono o ano inteiro. E escuto muito meu corpo e respeito ele.

 

Rotina de beleza antes do desfile?
Eu começo cedo. A preparação não é só maquiagem na última hora. É pele bem cuidada, hidratação em dia, cuidado com o cabelo pra aguentar calor, suor, fantasia… tudo precisa estar alinhado.

Eu também gosto de manter protocolos não invasivos com acompanhamento médico, porque a pele sente esse ritmo intenso de ensaio, luz, maquiagem pesada. Então não é vaidade, é manutenção. É preparo. Carnaval exige muito do corpo, e eu gosto de chegar pronta.

 

Maior desafio fashion?
Já tive figurino que ficou pronto praticamente no dia do desfile. Dá um frio na barriga enorme (risos). Você fica ali torcendo pra tudo dar certo, pra encaixar, pra não rasgar, pra funcionar no movimento.

Mas Carnaval também é isso: improviso com elegância. A gente respira, ajusta, resolve. E quando entra na avenida, precisa estar inteira, confiante mesmo que nos bastidores tenha sido uma correria.

 

Look de close ou look que resiste ao samba?
Sem dúvida, o que resiste ao samba. Não adianta ser incrível na foto se não aguenta três minutos de bateria acelerando atrás de você.

O look precisa dançar comigo. Precisa acompanhar o ritmo, permitir movimento, sustentar o impacto do desfile. Porque a avenida não é passarela parada é energia o tempo todo.

 

Tendências para os próximos anos?
Acho que a tendência é a personalidade ganhar espaço. Não é só sobre brilho ou tamanho da fantasia, é sobre conceito, sobre conexão com o enredo e com quem está vestindo. O público percebe quando existe verdade ali.

 

 

Como equilibra rainha e redes sociais?
Eu sempre faço questão de mostrar o bastidor, porque não é só glamour. Existe treino, cuidado, disciplina, investimento e muita preparação.

As redes sociais me permitem dividir esse processo real. Ser rainha não é só entrar pronta na avenida, é tudo o que acontece antes disso. É o dia de treino com chuva, é estar menstruada e mesmo assim cumprir a rotina, é ir pra academia mesmo sem vontade. Nem sempre é motivação. Muitas vezes é disciplina.

Eu gosto de mostrar isso porque muita gente acha que é fácil manter meu corpo, mas existe constância há anos. Eu me cuido muito e há muito tempo. Abdico de muitas coisas. Existe escolha diária, esforço silencioso e compromisso comigo mesma.

E eu acho importante dividir essa parte também, porque o brilho da avenida começa muito antes da fantasia.

 

Seu segredo para manter alto astral?
Eu sempre coloco no meu contato “Carla Prata Seja feliz”.

Porque é isso que eu acredito. A gente se preocupa demais com o que o outro tem, com o que o outro faz, com o que o outro é… e esquece que a gente está aqui de passagem. Então eu tento viver assim: seja feliz enquanto é tempo.

E isso tem muito a ver com propósito. Quando você sabe por que está ali, o cansaço muda de lugar. Ele até existe, mas não pesa da mesma forma. Quando eu entro na avenida, eu não estou só desfilando. Eu estou vivendo algo que eu amo.

Eu amo a energia da bateria, amo o contato com o público, a troca com a escola. Aquela vibração não se explica, se sente. E quando você faz algo com amor e verdade, o brilho não vem só da fantasia ele vem de dentro.

É isso que sustenta qualquer noite longa de desfile. Porque quando você tem propósito e escolhe ser feliz no caminho, tudo faz mais sentido.

 

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CARLA PRATA

COLABORADORES
Capa Carla Prata
Foto Fernando Alves
Look
Michelle X e Pipo Acebedo
Assessoria Portfólio Assessoria

 

O carnaval não é brilhar sozinha,é sobre a energia de toda uma comunidade

 

 

O Carnaval é pura expressão – como você descreve comandar a bateria?
É uma mistura muito forte de responsabilidade com emoção. Há quase 50 anos as Rainhas de Bateria ajudam a contar a história do Carnaval, e estar ali, pela CONFIRMAR vezes, é uma honra enorme.

Quando eu entro na avenida e olho pra bateria atrás de mim, eu sinto uma força que não dá pra explicar. Não é só dançar. É conduzir energia. É sustentar uma tradição, representar uma comunidade inteira, uma escola que tem história.

E pra chegar ali existe muita preparação. Figurino, maquiagem, treino, alimentação. É investimento, é disciplina, é dedicação. Ainda mais depois do meu diagnóstico de miastenia gravis, eu aprendi a respeitar ainda mais meu corpo. Cada ensaio exige atenção redobrada.

Mas quando o surdo começa a tocar… tudo vale a pena. É arrepio, é verdade, é pertencimento,é espiritual. É saber que você está vivendo um momento que vai muito além de você.

 

Qual foi o look mais inesquecível?
Olha… o look mais inesquecível da minha vida foi quando eu pisei na avenida como onça melânica.

Aquele dia não foi só um desfile pra mim. Foi um reencontro com a minha essência. Quando eu entrei no Anhembi como Rainha de Bateria da Tucuruvi, eu não estava apenas com uma fantasia impactante, eu estava vivendo uma transformação.

A onça negra representava força, instinto, proteção, ancestralidade. E tudo aquilo conversava muito com a minha história. Eu já enfrentei muitos desafios que nem sempre as pessoas enxergam, então vestir aquela onça foi como materializar a mulher forte que eu precisei ser ao longo da vida.

Eu me senti irreconhecível no melhor sentido. Foi visceral. Foi espiritual. Foi entrega total.

Mais do que estética, aquele look carregava significado. E eu acho que é isso que faz ele ser inesquecível: não foi só bonito foi verdadeiro.

 

Como você escolhe estilistas e peças?
Eu preciso me reconhecer ali. Pode ser incrível, pode ser luxuoso, mas se não conversa com a minha essência e com o espírito da escola, não funciona. Eu gosto de trabalhar com quem entende que Carnaval é movimento, não só foto, com quem tem amor pelo Carnaval e pela arte.

 

O que é glamour pra você no samba?
Glamour, pra mim, não é excesso. Não é só brilho, pedraria ou luxo. Glamour é postura. É presença.

É entrar na avenida com segurança, sabendo que você está preparada física e emocionalmente pra ocupar aquele espaço.

É entender que ali existe história, comunidade, tradição.

Então glamour também é respeito. É sustentar o salto depois de horas de ensaio, manter a energia do começo ao fim, olhar pra bateria e se conectar de verdade. É encarar a arquibancada com orgulho, apresentar a bateria com o coração aberto e convidar todo mundo a viver aquele momento junto.

No samba, glamour é verdade. Quando você é de verdade, você brilha naturalmente.

 

Como a nutrição entra na sua preparação?
A nutrição é um dos pilares da minha preparação. Samba é resistência, é exercício aeróbico intenso, então eu não posso deixar a alimentação em segundo plano. No dia de ensaio, por exemplo, eu faço uma pausa estratégica pra me alimentar. Parece simples, mas faz toda a diferença.

No almoço e na alimentação pré-ensaio, a proteína é prioridade. Não é só uma questão estética, é funcional. Eu preciso de sustentação muscular e energia pra atravessar a avenida do começo ao fim, principalmente num ensaio técnico, onde o ritmo é puxado e não dá pra perder o fôlego.

Mas a preparação vai além do físico. Existe também um ritual mental e emocional. Cada ensaio começa muito antes da avenida. No camarim, enquanto a maquiagem começa, a fantasia está ali do lado… tudo vai ganhando vida. Eu uso esse momento pra alinhar corpo e mente, visualizar a avenida e me conectar com o enredo da Tucuruvi.

No fim das contas, é equilíbrio. Alimentação, preparo físico, foco emocional.

 

Dicas de lifestyle e nutrição?
Constância. Não adianta querer resolver tudo na semana do desfile. Eu cuido da alimentação, hidratação e sono o ano inteiro. E escuto muito meu corpo e respeito ele.

 

Rotina de beleza antes do desfile?
Eu começo cedo. A preparação não é só maquiagem na última hora. É pele bem cuidada, hidratação em dia, cuidado com o cabelo pra aguentar calor, suor, fantasia… tudo precisa estar alinhado.

Eu também gosto de manter protocolos não invasivos com acompanhamento médico, porque a pele sente esse ritmo intenso de ensaio, luz, maquiagem pesada. Então não é vaidade, é manutenção. É preparo. Carnaval exige muito do corpo, e eu gosto de chegar pronta.

 

Maior desafio fashion?
Já tive figurino que ficou pronto praticamente no dia do desfile. Dá um frio na barriga enorme (risos). Você fica ali torcendo pra tudo dar certo, pra encaixar, pra não rasgar, pra funcionar no movimento.

Mas Carnaval também é isso: improviso com elegância. A gente respira, ajusta, resolve. E quando entra na avenida, precisa estar inteira, confiante mesmo que nos bastidores tenha sido uma correria.

 

Look de close ou look que resiste ao samba?
Sem dúvida, o que resiste ao samba. Não adianta ser incrível na foto se não aguenta três minutos de bateria acelerando atrás de você.

O look precisa dançar comigo. Precisa acompanhar o ritmo, permitir movimento, sustentar o impacto do desfile. Porque a avenida não é passarela parada é energia o tempo todo.

 

Tendências para os próximos anos?
Acho que a tendência é a personalidade ganhar espaço. Não é só sobre brilho ou tamanho da fantasia, é sobre conceito, sobre conexão com o enredo e com quem está vestindo. O público percebe quando existe verdade ali.

 

 

Como equilibra rainha e redes sociais?
Eu sempre faço questão de mostrar o bastidor, porque não é só glamour. Existe treino, cuidado, disciplina, investimento e muita preparação.

As redes sociais me permitem dividir esse processo real. Ser rainha não é só entrar pronta na avenida, é tudo o que acontece antes disso. É o dia de treino com chuva, é estar menstruada e mesmo assim cumprir a rotina, é ir pra academia mesmo sem vontade. Nem sempre é motivação. Muitas vezes é disciplina.

Eu gosto de mostrar isso porque muita gente acha que é fácil manter meu corpo, mas existe constância há anos. Eu me cuido muito e há muito tempo. Abdico de muitas coisas. Existe escolha diária, esforço silencioso e compromisso comigo mesma.

E eu acho importante dividir essa parte também, porque o brilho da avenida começa muito antes da fantasia.

 

Seu segredo para manter alto astral?
Eu sempre coloco no meu contato “Carla Prata Seja feliz”.

Porque é isso que eu acredito. A gente se preocupa demais com o que o outro tem, com o que o outro faz, com o que o outro é… e esquece que a gente está aqui de passagem. Então eu tento viver assim: seja feliz enquanto é tempo.

E isso tem muito a ver com propósito. Quando você sabe por que está ali, o cansaço muda de lugar. Ele até existe, mas não pesa da mesma forma. Quando eu entro na avenida, eu não estou só desfilando. Eu estou vivendo algo que eu amo.

Eu amo a energia da bateria, amo o contato com o público, a troca com a escola. Aquela vibração não se explica, se sente. E quando você faz algo com amor e verdade, o brilho não vem só da fantasia ele vem de dentro.

É isso que sustenta qualquer noite longa de desfile. Porque quando você tem propósito e escolhe ser feliz no caminho, tudo faz mais sentido.

 

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